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Mtvareo: In a New Light
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Trabalhar com ela é como trabalhar com a base dessa cultura que nos influenciou a todos.

Mtvareo: sob uma nova luz.

Olá, meu nome é kordz.

Sou um produtor e compositor de Tbilisi, na Geórgia.

Este é meu estúdio caseiro, em Tbilisi.

É aqui que trabalho e moro.

Faço músicas de vários estilos.

Produzo música eletrônica, eu mesmo lanço minha música, componho para orquestras, e trabalho com conjuntos de música contemporânea.

Como ser humano, não decidimos com que tradição musical vamos crescer.

Nascemos num determinado ambiente e crescemos com as músicas desse ambiente, não temos escolha.

Quando comecei a decidir o que eu queria ouvir, ouvi de tudo desde o rock'n'roll até James Brown e Prince, esse tipo de som.

Quando redescobri, por vontade própria, a música georgiana, comecei a ouvir as canções que provavelmente ouvia quando criança e fui redescobrindo-as.

Uma das faixas que realmente me marcou, sem que eu saiba por quê, foi um pequeno trecho de Mtvareo: uma música do filme Veris Ubnis Melodiebi.

Desde 2016, tenho diferentes esboços dessa música no meu computador.

Eu, de fato, percorri-os e sempre quis fazer algo com essa música.

Uma hora, queria fazer um arranjo mais clássico para violoncelo.

Outra hora, uma versão dançante.

Então, tenho todos esses esboços na minha memória.

A pessoa que mais representa este tipo de música georgiana, super romântica e sentimental, é Nani Bregvadze, porque ela trabalhava com todos esses compositores.

Todos os compositores compunham aquelas canções para ela.

Ela era a primeira pessoa que as cantava.

Portanto, toda essa história e esse patrimônio cultural vivem, de certa forma, por meio dela.

Um dia, seu neto, Gogiko, me propôs trabalhar com Nani numa nova canção.

Eles já tinham a letra e a música, mas faltava o arranjo.

Queriam que eu fizesse esse arranjo para Nani.

Tentei fazer diferentes arranjos.

Nani e eu trabalhamos juntos em várias sessões.

Eu sempre achei que se fosse trabalhar com ela, teria de ser algo muito calmo, com pads atmosféricos, algo românico...

no estilo dela.

Fizemos três sessões juntos, sempre no apartamento dela.

Instalei meu equipamento lá: o microfone, minha interface e a caixa de som.

Daí, gravamos e ela simplesmente não gostou.

Para ela, essa música romântica tinha que ser feita no piano.

Eu acho que o acompanhamento romântico no piano, que faz parte dessa cultura, é algo muito específico.

É algo muito livre, com um ritmo muito livre.

Às vezes, é mais rápido, mais lento, mais alto, mais brando.

Ela está muito acostumada com isso, porque é o que faz há 70 anos.

É o estilo dela.

Mas eu não sei fazer isso.

Simplesmente não sei.

E ela não queria meus pads de sintetizador.

Estávamos num beco sem saída.

Então, decidi mostrar para ela os esboços de Mtvareo que eu tinha armazenados, como uma espécie de último recurso.

Mostrei então meu primeiro esboço de Mtvareo, que tinha um ritmo lento.

Tinha uma batida meio assim...

Com as harmonias de Mtvareo.

Ela ouviu aquilo e falou: "Nossa, é genial.

É isso que a gente precisa fazer".

E literalmente, naquela mesma tarde, gravamos a primeira estrofe.

A partir daí, a faixa tomou forma naturalmente.

Eu ia tocar no festival Tbilisi Open Air, e meu agente Koka sugeriu...

que convidássemos Nani para cantar a música comigo.

Porque eu nunca teria ousado convidá-la para se apresentar comigo no Open Air.

Acontece que ela queria mesmo se apresentar no Open Air, porque acho que um dos motivos pelos quais ela gostou de fazer esse projeto e essa música é que sempre quis fazer algo para os jovens.

Ela disse: "Sim, eu quero fazer isso para os jovens." A apresentação no Open Air foi também para a galera jovem.

Num dado momento, o carro dela apareceu na frente do palco do Open Air.

Eu até já tinha começado a tocar.

E parece que Nani perguntou a alguém: "kordz começa quando a tocar?" E responderam: "Ele já começou".

Daí, ela falou: "Não, esse aí é outro cara.

É só um maluco pulando no palco".

Só que: "Não, esse é o kordz".

Parece que ela ficou sem entender nada, porque até então só tínhamos nos visto na sala de estar dela para compor música juntos.

De repente, lá estava eu pulando no palco.

Ao trabalhar com o material de outros, como produtores, sempre nos deparamos com perguntas como, "O que é legal?

Será que podemos fazer isso?" A quem devemos perguntar?

Isso é permitido?

Então, é ótimo termos plataformas como a CLIP, para sabermos o que é permitido.

Eu, pessoalmente, só trabalho com músicas com que tenho uma ligação forte desde a infância, ou músicas que acabo de descobrir e que me lembram algo que conheci na infância.

Então, se eu estiver convencido de que estou trabalhando com uma música que influenciou a música que eu próprio estou fazendo, tenho a certeza de que o resultado não vai ser algo inautêntico ou ridículo.

Eu nunca imaginei que faria isso com a pessoa que gravou essa música originalmente.

kordz

Mtvareo: In a New Light


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Fifty years after its initial release, a Georgian classic finds new life through an unexpected collaboration across generations.

When Georgian electronic producer kordz rediscovered the music of his childhood, one song in particular caught his imagination: Mtvareo, performed by Georgian legend Nani Bregvadze in the 1973 film Veris Ubnis Melodiebi. For years, he experimented with reinterpreting it in different styles. The chance to take the idea further came unexpectedly, when Nani’s grandson invited him to collaborate with her. kordz recounts the creative journey that followed: sessions in Nani’s living room, the “last stand” when he finally showed her one of his Mtvareo sketches, and how their partnership blossomed into a live performance at the Tbilisi Open Air festival and a hit music video.

kordz’s story explores what it means to create something new from an existing musical work. Reinterpreting a song can involve , and or rights—and may require permission from the relevant . kordz reflects on the questions producers face: “As producers, we often run into questions—what is legal? Who do we have to ask?” For him, the starting point is personal: he chooses to work with music he feels a genuine connection to. His collaboration with Nani became both a meeting of generations in Georgian popular music and a meaningful memory for the two artists.

As producers, we often run into questions—what is legal? Who do we have to ask?