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Didier Awadi: Perfeito.

Solange Cesarovna (fora do quadro): Está bom?

Hoje é um dia muito especial, porque estamos aqui para lançar uma nova canção, uma nova versão de uma canção original do meu país.

Meu nome é Solange Cesarovna.

Sou cantora e compositora do Cabo Verde e também paladina da CLIP.

Meu nome é Didier Awadi, sou um artista africano com passaporte senegalês.

Meu papel como paladino da CLIP é dizer ao maior número possível de artistas e profissionais da música: "Você tem direitos.

Informe-se".

Queríamos um exemplo concreto daquilo que fazemos.

Então, escolhemos uma música de que gostamos.

Esta canção, "Dos Atributo", é uma morna de Cabo Verde.

Ela é muito especial porque Manuel de Novas a compôs em homenagem à esposa e à mãe dele.

Eu a gravei em 2009.

Agora, nesta nova versão, nós também fazemos uma homenagem às nossas mães.

Didier: Pronto?

Está ligado?

Ainda não.

Minha mãe é cabo-verdiana, como o compositor, e essa foi para mim uma ocasião de homenagear minha mãe, que tem 83 anos.

Na canção, eu digo que muitas vezes nos esquecemos de dizer: "Eu te amo".

(Didier canta rap em francês) Então, como a Solange e eu fizemos isso?

Identificamos o titular dos direitos.

Como ele já tinha falecido, os filhos dele eram os titulares.

Daí, negociamos com os filhos dele a obtenção dos direitos de uso e de adaptação da canção.

Eu conheço os filhos do Manuel de Novas, então liguei imediatamente para o Neu - o Neu Lopes - e disse-lhe: "Queremos fazer uma nova versão.

Antes de tudo, queremos saber se você e seu irmão concordam e nos autorizam".

Ele aceitou nossa proposta.

Depois disso, iniciamos a parte criativa.

O Didier e eu tivemos muitas reuniões online e trocamos ideias por WhatsApp, porque eu estou em Cabo Verde e ele no Senegal.

Compomos a letra e toda a magia aconteceu, porque sentimos que era a canção ideal.

(Solange canta em português) (Didier faz rap em francês) Neu, muito obrigada por estar aqui.

Antes de finalizarmos a nova criação, precisamos entrar num acordo em relação aos direitos desta nova versão.

Já conversei com o Didier.

Se depois de ouvir nossa proposta, você quiser fazer uma contraproposta, fique à vontade, porque é para isso que estamos aqui.

Estamos criando um novo arranjo e a melodia é um pouco diferente.

Mantemos a essência e a "vibe" da morna, mas puxando para o "galop" e mudando um pouco a estrutura.

A preocupação era sabermos se íamos manter a obra tal como é ou se íamos alterá-la.

O fato de adicionar rap já é uma alteração.

Criar uma nova letra é uma alteração.

O nosso objetivo era manter o espírito da obra, nos permitindo mudar ligeiramente o ritmo.

A música foi ligeiramente alterada, mas não perdemos a essência da canção, o que era importante para nós.

Acreditamos que seria uma boa proposta o Manuel de Novas, no caso, vocês como representantes dele e atuais titulares dos direitos conservarem 50% da canção, enquanto eu e o Didier dividiríamos os outros 50%.

Ou seja, eu ficaria com 25% e o Didier com 25% desta nova versão.

O mais importante numa negociação de direitos é sempre sentir que a decisão final é justa.

Porque é uma questão que envolve uma remuneração justa e também direito patrimoniais.

Eu quero que a música seja mais conhecida.

Quanto à proposta, eu acho que é justa, porque é também uma obra de vocês.

Era uma obra do meu pai, certo?

Uma criação do meu pai.

Mas vocês terão uma nova criação.

Então, eu acho que para nós, está bom assim.

Didier: Boa.

Obrigado.

Solange: Ótimo!

Por mim, vão em frente.

Está tudo certo.

Saímos da reunião com a sensação de que todos estavam satisfeitos.

O Neu ficou satisfeito.

Eu e o Didier também.

Isso é também muito importante para a nossa criatividade: o fato de sabermos que os direitos estão certos, que estamos fazendo algo justo para todos os criadores envolvidos.

É uma inspiração para o próprio processo criativo.

Quando você sente a magia de ter criado algo que está pronto para ser compartilhado, é incrível.

Eu acho que temos a canção e estamos prontos para compartilhá-la.

(Solange canta em português) (Didier faz rap em francês) Este projeto é importante para mim porque, além de estar fazendo boa música com pessoas que amo, posso finalmente dizer às pessoas: "É possível.

É possível.

Não é uma coisa inacessível.

Basta fazer o necessário.

Você precisa de uma obra?

Informe-se.

Se a obra pertence a alguém e você gosta dela, entre em contato com a pessoa, os titulares dos direitos, os advogados dele, a gravadora ou a editora.

É possível." Às vezes desistimos porque achamos que vai ser complicado.

Às vezes, não é nada complicado.

Basta ir em frente.

Didier Awadi · Solange Cesarovna

O making of de uma obra derivada


2 min ler


Neste minidocumentário de bastidores, acompanhamos os paladinos da CLIP Solange Cesarovna e Didier Awadi enquanto eles criam uma obra derivada—uma nova canção baseada numa canção já existente.

Dos Atributo foi composta como uma morna tradicional cabo-verdiana, pelo poeta e compositor Manuel de Novas. A colaboração de Solange e Didier honra a história e as raízes culturais da obra original, ao mesmo tempo que traz uma nova letra composta por Solange, juntamente com o rap africano francófono próprio de Didier. Permanecendo fiéis ao espírito da intenção original de Novas, Solange e Didier dedicam sua versão da música a suas respectivas mães.

O filme oferece uma perspectiva íntima de como Solange e Didier entraram em contato com os da canção original, solicitaram e obtiveram a devida autorização, negociaram os e acordaram a da nova . Com esses momentos compartilhados, eles destacam a importância dos , da e do respeito pelos criadores originais, como aspectos significativos do processo criativo.

"O mais importante numa negociação de direitos é sempre sentir que a decisão final é justa."

Solange Cesarovna

"Às vezes desistimos porque achamos que vai ser complicado. Às vezes, não é nada complicado. Basta ir em frente."

Didier Awadi

Créditos

Com Didier Awadi e Solange Cesarovna
Filmado em Praia, Cabo Verde; Dakar, Senegal; e Genebra, Suíça
Fotos de Manuel de Novas: cortesia de Neu e Edson Lopes
Som: Julien Matthey (Genebra)
Imagens e fotos em estúdio: cortesia de Solange Cesarovna e Didier Awadi